“Só quero morrer com um pouco de dignidade” (Paciente)
“Não existe isso de morrer com dignidade. O organismo decai, às vezes com 90 anos. Ou às vezes antes de nascermos. Sempre acontece e nunca tem dignidade nisso. Não importa se anda, enxerga ou se você mesmo limpa sua bunda. É sempre feio, sempre. Podemos viver com dignidade, mas não morrer com ela” (House)
Afinal, o que seria uma morte digna? Há, realmente, algo digno na morte?
Antes de tudo, vamos refletir sobre o conceito da tal “morte digna”:
“Morte Digna é a morte natural, com todos os alívios médicos adequados, através de uma intervenção global no sofrimento humano. Alguns preferem identificá-la como a “morte a pedido”, provocada pelo médico, quando a vida já não pode oferecer um mínimo de conforto considerado imprescindível pelo doente.”
Há uma contradição que abala todo o conceito! Inicialmente é dito que a Morte Digna é uma morte natural e, logo após, que é uma “morte a pedido, provocada pelo médico”. Ora, se é uma morte provocada por outra pessoa, como poderia ser natural?
Quando ele diz que não existe tal coisa, está completamente certo. Vejamos um idoso com organismo já decaído, porém, observemos o estado sentimental, não o biológico. Já não bastasse o sentimento de inutilidade típico dessa fase, há também a atenção especial que recebem e dependência TOTAL dos outros para exercer diversas ações, como necessidades fisiológicas, andar (quando ainda se anda), vestir-se etc. Ele está definitivamente no leito de morte, que pena. E para ser franco, não vejo nada de digno nisso... nem eu, nem o idoso, que deve achar essa situação totalmente humilhante e constrangedora.
Optar por a “Morte Digna” não é errado, porém, é uma forma de ‘fuga’, digamos assim...e não consigo ver como fugir de uma situação -por ser mais fácil de encarar ou por pura desistência-pode dignificar alguém.
LM

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